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Nota de Repúdio do MobiliCidade JF à ação do Ministério Público de São Paulo contra a evolução do projeto cicloviário da cidade de São Paulo

O MobiliCidade JF, associação de pessoas que desenvolve trabalhos voltados à Promoção da Cidadania através de ações ligadas à Mobilidade por Bicicletas em Juiz de Fora-MG, registra esta nota de repúdio à ação do Ministério Público de São Paulo, Nº 1009441-04.2015.8.26.0053.

Tal ação visa a interrupção imediata das obras cicloviárias na cidade de São Paulo, incluindo as obras da Avenida Paulista, sob pena de pesada multa diária a ser paga pelo contribuinte da Prefeitura de São Paulo. A justificativa da promotora responsável, é de que as obras foram feitas sem planejamento e que os carros transportam maior número de pessoas na cidade.

A promotora não sabe que há anos as associações e organizações cicloativistas estão realizando estudos de viabilidade, contagens, pesquisas e buscando ações junto aos governos muncipais, estaduais e federal, mostrando a necessidade de criar-se estruturas para atender à demanda já existente das pessoas que utilizam a bicicleta no seu dia-a-dia, seja para transporte diário, prática esportiva ou lazer. Além disso, existe um movimento global a favor da promoção da ciclabilidade nas cidades e de como existe uma melhora significativa na qualidade de vida, segurança, dignidade e equanimidade de classes nas cidades onde a bicicleta é tratada com o respeito que lhe é devido.

Há poucas semanas, no IV Fórum Mundial da Bicicleta, realizado na cidade de Medellin – Colômbia, tivemos o prazer de acompanhar a palestra da Janette Sadik-Khan, uma das responsáveis por transformar a dinâmica urbana de Nova Iorque. Em sua palestra, marcou a sua fala “As ciclovias foram o melhor investimento que Nova Iorque fez em mobilidade em toda sua história”, mostrando em gráficos e resultados reais, o custo-benefício das estruturas cicloviárias para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos da cidade mais populosa do mundo.

Baseado nas perspectivas globais e visando a melhoria da qualidade de vida em todas as cidades do Brasil, cremos que o avanço da implantação da estrutura cicloviária em São Paulo, principalmente a ciclovia da Avenida Paulista, é um marco e um exemplo a ser seguido pelas cidades em todo o Brasil. Toda cidade tem a sua “Avenida Paulista”, onde há um tabu de que não se pode mexer naquela estrutura, é um vespeiro. Aqui em Juiz de Fora nossa “Avenida Paulista” é a Avenida Barão do Rio Branco, que esperamos que siga o exemplo da irmã paulista e se torne mais útil no deslocamento de pessoas e deixe de ser vista como artéria rodoviária.

Reforçamos portanto nosso apoio à todos amigos, associações cicloativistas e demais ciclistas paulistas, para que seja derrubada essa medida descabida perpetuada pelo Ministério Público.

Juiz de Fora, 20 de março de 2015

MobiliCidade JF

Testamos as bicicletas compartilhadas da Unimed JF e UFJF

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Fomos convidados pela amiga e parceira Leandra Lil para participar da cerimônia de lançamento das bicicletas compartilhadas oferecidas pela Unimed JF e UFJF.

A cerimônia foi hoje, 08/01/2015 na parte da manhã, na UFJF. A princípio ficamos analisando as bicicletas, distribuindo edições do CTB de Bolso do Ciclista e conversando com as pessoas presentes, buscando informações sobre como funciona o sistema. Logo após houve uma cerimônia de inauguração com representantes da UFJF, Unimed JF e Prefeitura de Juiz de Fora.

Após a cerimônia veio o mais interessante, uma volta de “test-drive” pela ciclovia da UFJF nas novíssimas bicicletas compartilhadas (as Verdinhas).

Como funciona o sistema:

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Para se cadastrar, deve acessar o site da Unimed JF, preencher seus dados e realizar o pagamento de R$1 por ano no cartão de crédito, sendo que clientes Unimed não pagam. Você receberá uma senha de 4 dígitos que vai utilizar para retirar as bicicletas no totem localizado na estação. São 30 bicicletas que podem ser utilizadas no período de 6h às 22h, apenas para uso dentro do campus da UFJF. Você pode ficar com a bicicleta por uma hora. Caso deseje usar mais, deve-se esperar um intervalo de 15 minutos e retirar a bicicleta novamente.

Nossas primeiras impressões

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O sistema de bicicletas compartilhadas é uma tendência no Brasil, tendo como referência as bicicletas laranja do Itaú em diversas cidades e chegou a Juiz de Fora por uma iniciativa da Unimed JF em parceria com a UFJF. É notável ver a iniciativa privada tomando frente nessas questões. Claro que existe o marketing envolvido (mais que justo), mas o benefício para a cidade é inegável.

Vamos ao sistema em si. Primeiramente o valor cobrado é irrisório. R$1 por ano, é a quantia necessária para que tenham o cartão de crédito do usuário registrado para manterem o controle de quaisquer perdas e danos à bicicleta, justo!

As bicicletas são confortáveis, bem montadas e com boas peças. Usam um sistema Shimano Nexus de 3 marchas internas no cubo, que é mais que suficiente para o local onde se propõe rodar. Hoje, como era a inauguração do sistema e todas as bicicletas estavam “zero”, havia alguns pequenos problemas de ajuste do selim, guidão torto, regulagem de freio. Mas tudo muito tranquilo de se corrigir, nenhum problema grave foi detectado e todas as bicicletas estavam em perfeitas condições para rodar.

A princípio, o sistema implantado não pode ser considerado um avanço na questão da Mobilidade Urbana, pois o usuário não pode sair do Campus da UFJF com a bicicleta e não existem outras estações de transbordo. Em conversas hoje com os organizadores, existe sim possibilidade de expansão do sistema, mas sem prazo definido.

Mas o MobiliCidade JF considera o sistema um grande avanço para a cidade na questão da Ciclabilidade. Possibilita que pessoas que tem dúvidas se devem ou não comprar uma bicicleta, experimentem as pedaladas antes de se decidir, além de permitir às pessoas que frequentam a UFJF para atividades físicas, um passeio de bicicleta entre uma corrida e caminhada.

Ficamos satisfeitos com o resultado. Testado e aprovado!

2º SEMOB – Seminário de Mobilidade por Bicicletas de Juiz de Fora – Saiba como foi!

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No domingo 07/12/2014 foi realizado o 2° SEMOB – Seminário de Mobilidade por Bicicletas de Juiz de Fora tendo como tema principal “As vantagens de um sistema cicloviário para Juiz de Fora”.

O MobiliCidade JF, associação para a promoção da cidadania através da mobilidade consciente, realiza anualmente o SEMOB tendo como principais objetivos:

  • Espaço democrático para debate

  • Promover o relacionamento entre os Administradores Públicos, Sociedade Civil e Instituições Privadas

  • Oportunidade de entender  a situação de Juiz de Fora no cenário da mobilidade por bicicletas

  • Buscar maior capacitação para os integrantes e participantes

  • Compartilhamento de ações e resultados

Alguns termos se destacaram no decorrer do evento. A “Mobilidade Urbana” deu lugar à “Mobilidade Humana” que também foi citada como “Mobilidade Consciente” ou Sustentável. São novas abordagens deste tema, em que a bicicleta e o sistema cicloviário entram como parte integrante e fundamental do sistema de funcionamento da cidade.

Mobilidade Humana e Cidades Verdes - Marcelo Taioba

Mobilidade Humana e Cidades Verdes – Marcelo Taioba

Baseado nesta temática, o Arquiteto e Urbanista Marcelo Portes (Taioba), trouxe um excelente ensaio intitulado “Mobilidade Humana Sustentável”. Através de um trabalho de urbanismo, desenvolvido por um coletivo de arquitetos, urbanistas, geógrafos, dentre outros, apresentou um modelo “padrão” de distribuição de rotas nas cidades, que envolve a otimização do transporte público, transporte a propulsão humana (não motorizado) e pedestres, onde o transporte individual motorizado também está inserido, mas deixa de ser a prioridade na questão da mobilidade.

O trabalho se completa apresentando propostas de arborização das áreas urbanas, criação de parques municipais, sistemas de ruas com blocos que permitem permeabilidade do solo. Em seus exemplos, mostrou fotos de ruas de Juiz de Fora como são hoje e como poderiam ser em uma situação ideal e o resultado realmente impressiona e motiva.

Dando seqüencia no evento, o Secretário de Governo de Juiz de Fora, José Sóter Figueirôa, apresentou o projeto que está sendo desenvolvido pela Prefeitura de Juiz de Fora da proposta da  Rede Cicloviária de Juiz de Fora.

O projeto consta em uma ciclovia principal (troncal), margeando o Rio Paraibuna, que em sua completude totalizará 19,5Km ligando os bairros Distrito Industrial até o Vila Ideal. Esta ciclovia tem seu projeto dividido em quatro etapas, sendo a primeira delas a construção de um trecho de cerca de 8Km ligando o bairro Barbosa Lage ao viaduto Nelson Silva.

Apresentação da Rede Cicloviária de Juiz de Fora - José Sóter Figueirôa

Apresentação da Rede Cicloviária de Juiz de Fora – José Sóter Figueirôa

Para a realização desta primeira etapa, a PJF está em busca de financiamento no BDMG, mas o Secretário sinalizou que mesmo sem o financiamento, a licitação para a construção será realizada com data estimanda para fevereiro / 2015.

Em sua apresentação, exibiu projetos e pranchas, mostrando as dimensões da ciclovia, sinalização, localização na avenida, modelo de separação e justificativas para execução do modelo proposto.

O MobiliCidade JF considera o modelo interessante, mas ainda incompleto se pensarmos em um sistema cicloviário abrangente e integrado. O mais importante desta apresentação, foi a abertura oferecida pelo Secretário e sua equipe técnica que também estava presente, da participação do MobiliCidade nas atividades de planejamento e melhoria. Vamos focar nisso para o próximo ano, visando a construção de estruturas viáveis e seguras.

Concluindo com uma outra boa notícia, Figueirôa informou que a prefeitura já sinalizou positivamente a instalação de 9 bicicletários públicos nas principais praças e parques da região central da cidade para execução no início de 2015.

Após o intervalo de almoço, quem se apresentou foi João Paulo Amaral, o JP, convidado ilustre de São Paulo que veio dar sua contribuição ao SEMOB. JP é um dos idealizadores e hoje coordenador de articulação da rede nacional Bike Anjo.

Em uma apresentação muito motivadora, nos contou seu histórico de relação com a bicicleta, do momento em que se entregou ao uso do carro em São Paulo e da vida que recuperou no momento em que deixou de lado o carro e retomou a bicicleta no seu cotidiano. Na maior metrópole do Brasil, considerada uma “selva de pedras”, ele redescobriu a cidade, as áreas verdes, a convivência com as pessoas e descobriu que São Paulo pode ter aparência de cidade do interior se for vivida de maneira mais suave.

O papel da bicicleta como ferramenta de transformação das cidades - JP Amaral

O papel da bicicleta como ferramenta de transformação das cidades – JP Amaral

Trouxe em sua palestra o tema “O papel da bicicleta como ferramenta de transformação nas cidades” e fez paralelos entre São Paulo e Juiz de Fora. Com suas palavras nos deixou motivados no sentido de que sim, é possível transformar uma cidade positivamente e a bicicleta é uma excelente opção neste sentido. Mesmo após sua palestra, em nosso “Happy Bike Hour”, tivemos debates muito produtivos e boas novas nos esperam no ano que vem.

O último palestrante convidado, Eduardo Lucas, nos trouxe uma perspectiva interessante de ocupação arquitetônica e urbanística em uma região polêmica de Juiz de Fora, a região da chamada BR 440 no bairro São Pedro. É uma região dentro do município, que foi “federalizada” e uma licitação foi aprovada para a construção de uma rodovia federal dentro da área urbana. A obra da BR está parada atualmente e a proposta do palestrante é cancelar imediatamente a obra atual e construir no lugar uma estrutura moderna. São vias interligando os bairros da Cidade Alta, incluindo boas vias para pedestres, ciclovias de transporte e treinamento esportivo, visto que a região é ocupada hoje por muitos ciclistas em treinamento. Além disso, o projeto visa a valorização comercial da região, propondo uma estética “germânica” para o comércio local, valorizando assim a influência da colonização alemã em Juiz de Fora.

Para concluir o evento, Guilherme Mendes e Kico Zaninetti apresentaram o MobiliCidade JF, dando enfoque no histórico de ações realizadas em 2014, com destaque para o vídeo produzido no Desafio Intermodal, a realização das EBA – Escola Bike Anjo em Juiz de Fora e a bicicletada que reuniu mais de 300 ciclistas na Avenida Rio Branco.

Foi apresentado também a programação e projetos para 2015 e lançado em primeira mão o projeto do SELO Empresa/Instituição Amiga da Bicicleta, que está em fase final de produção e será lançado no ano seguinte, valorizando as instituições privadas que oferecem boas condições de ciclabilidade para seus colaboradores.

Por fim, gostaríamos de agradecer a todos os apoiadores do evento que, com recursos ou serviços, fizeram possível a realização da 2ª edição do SEMOB:

MobiliCidade JF
08/12/2014

Desabafo de um ciclista desiludido

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Reproduzindo na íntegra o texto do Oberdan Leite, membro do MobiliCidade e ciclista no dia-a-dia.

Abre aspas…

Algumas vezes por semana uso a bicicleta para ir ao trabalho. Horário de pico no trânsito de Juiz de Fora, por volta das 17:30. Em menos de uma semana fui, por duas vezes, alvo de um mesmo motorista, o de um Kia Cerato Prata, placa GV alguma coisa 344 algum outro número. 

A primeira ‘barbeiragem’ deste motorista mal educado, que ia buscar a filha pequena no colégio Granbery, aconteceu na rua Barão de Santa Helena, em frente ao colégio, na semana passada. O indivíduo entrou para parar seu possante, lindo e reluzente veículo em frente a uma garagem. Sequer olhou para o retrovisor, muito menos acionou a seta (que as vezes penso que em alguns casos é um opcional de fábrica) para o lado direito, o qual eu seguia com a minha magrela. Reclamei com educação para não perder minha razão. Qual foi a reação do motorista? Me xingar com toda raiva, descarregar todo o estresse acumulado após um dia de trabalho.

Na última segunda-feira, mais ou menos no mesmo horário, porém na avenida Francisco Bernardino, enquanto seguia com meu ‘camelo’ pelo canto esquerdo, pois não há como andar pelo lado direito (sendo que a bicicleta pode ocupar o espaço de um automóvel), eis que surge um poderoso carro prateado, reluzente. Quem era? O mesmo sujeito do Kia Cerato. Tocou com seu retrovisor no guidão da minha bicicleta. Falei com o tal motorista em tom de alerta: “Cuidado, olha eu aqui, estou no meu direito de andar pela rua!”. Qual foi a reação dele? Me xingar ainda mais que na primeira vez e, como se não fosse suficiente, ainda disse: “Seu direito é o ‘carvalho’! Não satisfeito tentou jogar o carro em cima de mim, me dando uma fechada.

Acelerei para sair do raio de ação desse ser humano desprovido de massa cinzenta e avistei uma viatura da Polícia Militar de Minas Gerais. Pensei comigo, agora eu ferro esse cara. Aproximei da viatura e falei com os PMs o ocorrido que descrevi no último parágrafo. A resposta que recebi do cara foi broxante. Sabem qual a orientação que foi repassada a mim pelo digníssimo agente da lei? Pasmem! ‘Xinga ele também, chama pra porrada e depois vê o que acontece’. Não acreditei na resposta. Não sei com quem eu fico indignado, se é com o motorista desse Kia Cerato cor prata, ou se com o soldado da PM que me deu essa resposta em tom de sarcasmo.

Esse fato mostra a impotência de nós ciclistas no meio deste trânsito louco em que os motoristas se acham os donos das ruas que, segundo eles, não foi feita para bicicletas, motos, pedestres. Somos aparados por um Código e, quem deveria aplicar tais leis não tem a menor capacidade de fazer a lei, não sei se por desconhecimento, não sei se por má vontade ou por preguiça de trabalhar.

Nesse período, uma semana, um ciclista foi atropelado na BR-040 por um caminhão que invadiu e trafegou pelo acostamento. Ontem, 20 de novembro, um ciclista foi morto após ser atingido por um ônibus na Avenida Juscelino Kubitschek . Todos os dias, quando saio de casa de bicicleta, seja pra praticar o esporte, seja pra trabalhar ou passear, peço a Deus que me proteja das mentes insanas de motoristas egoístas e egocêntricos.

Oberdan Leite, Jornalista Ciclista

“O Ciclista Capixaba” em Juiz de Fora

CONVITE:

Amanhã chega a Juiz de Fora, o cicloativista e blogueiro Rafael Darrouy.

Ele é de Vitória/ES e seu blog ” O Ciclista Capixaba” conta com mais de 50.000 visitas por mês.

Convidado pelo MobiliCidade JF, sairemos às ruas de bicicleta, captando imagens e documentando as situações do trafego, fazendo uma avaliação das condições atuais.

Convidamos todos os ciclistas a comparecerem na praça Jarbas de Lery (praça do Ciclista), amanhã, 23/08/13, às 9h da manhã.

http://parceiros.gazetaonline.com.br/ociclistacapixaba/

Sobre preconceitos e ciclistas

RESPOSTA À COLUNA DE SUELI ARANTES, DE 03/08/2013, DIÁRIO DA MANHÃ
 
 
 
 

Normalmente questões como sol e chuva são supervalorizados por pessoas que não tem o costume de andar de bicicleta. Em países do norte, por exemplo, a chuva é quase diária e constante, outras vezes o frio é próximo de zero, e apesar disso, a população utiliza bicicletas diariamente.

 O Brasil é hoje o quinto maior mercado consumidor de bicicletas no mundo, sendo 50% desta frota destinado a transporte (Abracico, 2007). Goiânia, por exemplo, já foi a capital nacional de uso de bicicletas, em função de sua topografia perfeita para a prática. De acordo com a divisão modal da CMTC (2006-2007), as bicicletas ainda representam cerca de 6% das viagens na cidade. O que ocorre é que o ciclista é, hoje, invisível: não estamos acostumados a percebê-los e eles estão confinados nos miolos dos bairros.

 Hoje, o trânsito é, de fato, violento contra o ciclista e, consequentemente, este é o maior fator que impede as pessoas de usar bicicletas. Por isso, uma infraestrutura cicloviária deverá reduzir riscos e a agressividade, dando abertura para muitos novos usuários. Desta forma, a cidade se torna mais democrática, e aberta para que cidadãos adotem novas práticas de sustentabilidade.

 Além disso, entende-se que um bom projeto de infraestrutura cicloviária deve prever paraciclos e percursos sombreados. Além disso, é fundamental que os destinos (empresas, escolas, instituições e terminais intermodais) possuam vestiários e bicicletários para dar apoio ao usuário. Por exemplo, no caso da UFG, já existe um vestiário destinado aos alunos, outro em construção e a previsão de construção de mais um. Ou seja, as soluções sustentáveis não são sempre as mais fáceis, mas, devem ser as que preferimos.

É preciso ter a percepção de que a cidade não é pensada apenas para a classe média ou ascendente. Muitos trabalhadores, como os da construção civil, estão acostumados a trocar de roupa ao chegar ao trabalho, tomar banho no final do dia e voltar para casa.

 É sempre bom reforçar os benefícios do uso da bicicleta:

 Benefício para o meio ambiente (redução de poluição, pouco ruído, menos consumo de combustíveis fósseis, etc), benefícios para o usuário (mais saúde, bem estar físico e mental, preço acessível, baixo custo de manutenção) benefícios para a cidade (menor necessidade de espaço público, infraestrutura barata, adequação da paisagem a escala humana, e não das máquinas, como grandes viadutos e vias expressas responsáveis por inúmeros acidentes em perímetros urbanos).

No Brasil pelo fato do automóvel ser símbolo de prosperidade e diferenciação social, a utilização da bicicleta como modo de transporte acaba sendo depreciada. Para muitos indivíduos esta utilização é considerada constrangedora, utilizando-a apenas para recreação.

por: Camilo Amaral, professor de Arquitetura da UFG / Luiza Antunes, professora de Arquitetura da UFG /  Fernando Chapadeiro, professor de Arquitetura da UEG / Ana Flávia Marú, graduanda em Arquitetura na UFG / Compõem o grupo de pesquisa e extensão Inove Mob.