Desabafo de um ciclista desiludido

acidentes

Reproduzindo na íntegra o texto do Oberdan Leite, membro do MobiliCidade e ciclista no dia-a-dia.

Abre aspas…

Algumas vezes por semana uso a bicicleta para ir ao trabalho. Horário de pico no trânsito de Juiz de Fora, por volta das 17:30. Em menos de uma semana fui, por duas vezes, alvo de um mesmo motorista, o de um Kia Cerato Prata, placa GV alguma coisa 344 algum outro número. 

A primeira ‘barbeiragem’ deste motorista mal educado, que ia buscar a filha pequena no colégio Granbery, aconteceu na rua Barão de Santa Helena, em frente ao colégio, na semana passada. O indivíduo entrou para parar seu possante, lindo e reluzente veículo em frente a uma garagem. Sequer olhou para o retrovisor, muito menos acionou a seta (que as vezes penso que em alguns casos é um opcional de fábrica) para o lado direito, o qual eu seguia com a minha magrela. Reclamei com educação para não perder minha razão. Qual foi a reação do motorista? Me xingar com toda raiva, descarregar todo o estresse acumulado após um dia de trabalho.

Na última segunda-feira, mais ou menos no mesmo horário, porém na avenida Francisco Bernardino, enquanto seguia com meu ‘camelo’ pelo canto esquerdo, pois não há como andar pelo lado direito (sendo que a bicicleta pode ocupar o espaço de um automóvel), eis que surge um poderoso carro prateado, reluzente. Quem era? O mesmo sujeito do Kia Cerato. Tocou com seu retrovisor no guidão da minha bicicleta. Falei com o tal motorista em tom de alerta: “Cuidado, olha eu aqui, estou no meu direito de andar pela rua!”. Qual foi a reação dele? Me xingar ainda mais que na primeira vez e, como se não fosse suficiente, ainda disse: “Seu direito é o ‘carvalho’! Não satisfeito tentou jogar o carro em cima de mim, me dando uma fechada.

Acelerei para sair do raio de ação desse ser humano desprovido de massa cinzenta e avistei uma viatura da Polícia Militar de Minas Gerais. Pensei comigo, agora eu ferro esse cara. Aproximei da viatura e falei com os PMs o ocorrido que descrevi no último parágrafo. A resposta que recebi do cara foi broxante. Sabem qual a orientação que foi repassada a mim pelo digníssimo agente da lei? Pasmem! ‘Xinga ele também, chama pra porrada e depois vê o que acontece’. Não acreditei na resposta. Não sei com quem eu fico indignado, se é com o motorista desse Kia Cerato cor prata, ou se com o soldado da PM que me deu essa resposta em tom de sarcasmo.

Esse fato mostra a impotência de nós ciclistas no meio deste trânsito louco em que os motoristas se acham os donos das ruas que, segundo eles, não foi feita para bicicletas, motos, pedestres. Somos aparados por um Código e, quem deveria aplicar tais leis não tem a menor capacidade de fazer a lei, não sei se por desconhecimento, não sei se por má vontade ou por preguiça de trabalhar.

Nesse período, uma semana, um ciclista foi atropelado na BR-040 por um caminhão que invadiu e trafegou pelo acostamento. Ontem, 20 de novembro, um ciclista foi morto após ser atingido por um ônibus na Avenida Juscelino Kubitschek . Todos os dias, quando saio de casa de bicicleta, seja pra praticar o esporte, seja pra trabalhar ou passear, peço a Deus que me proteja das mentes insanas de motoristas egoístas e egocêntricos.

Oberdan Leite, Jornalista Ciclista

27 opiniões sobre “Desabafo de um ciclista desiludido”

  1. Infelizmente essa é uma situação recorrente em Juiz de Fora. Também vou e volto do trabalho de bicicleta e a falta de educação das pessoas também me assusta! Vejo que, além dos motoristas dos carros que se acham os donos das ruas, a situação também se repete para motoristas de ônibus, táxis e inclusive pedestres. Muitos atravessam fora das faixas, não respeitam a passagem das bicicletas e ainda reclamam quando um ciclista quase atropela um correndo no meio da rua. É triste dizer isso, mas muitos ciclistas também não respeitam as leis de trânsito e acham que pelo fato de estarem em um veículo “não motorizado”, não oferecem risco a ninguém. Acredito que a falta de educação é geral e todos exercem o seu direito de ir e vir acreditando ser este, mais importante do que o do próximo. É uma pena ver tudo isso acontecendo em uma cidade tão querida. Eu faço a minha parte dando passagem para os apressadinhos e para os descuidados. Tento fazer minha parte também redobrando a minha atenção e respeitando mesmo os desprovidos de educação! Mas nem sempre tenho esse respeito de volta… É uma situação crônica e a única opção que nos cabe é realmente pedir a Deus proteção das ditas mentes insanas egoístas e egocêntricas.

    1. Ando de moto e carro aqui em Juiz de Fora e no Rio de Janeiro, Não tenho problemas com outras motos, bicicletas ou pedestres, com exceção da Getúlio Vargas de de vez em quando passo algum sufoco com alguns pedestres.

      O problema em ordem de risco em Juiz de Fora pois no Rio não tenho tido problemas, as pessoas se ajeitam e se entendem sem maiores problemas por lá:

      Taxista que jogam o carro em cima dos pedestres, estacionam nas calçadas, ultrapassam em local de risco, jogam o carro encima das motos e bicicletas, fecham o corredor para as motocicletas e quase esbarram nas bicicletas, não dão preferência para ninguém, seja saindo de uma garagem ou de uma rua intermediária, mesmo estando parado, ele dá uma andadinha só para fechar o outro e se tentar dar ceta para mudar de faixa, aí que não deixam mesmo, bando de ignorantes, não digo todos mas ao menos uns 98% deles.

      Automóveis em geral, Fazem quase quanto os taxista e não dão ceta para estacionar ou mudar de direção e param na faixa de pedestre.

      Motos que avançam os semáforos.

      Ônibus que passam raspando nas motos e nas bicicletas.

      Pedestres que atravessam correndo
      Se atravessa-sem com atenção e com passo normal, não teria problema mas querem atravessar correndo e com sinal fechado para eles.
      Os pedestres tem que saber que as bicicletas também matam mas preferem se arriscar na frente delas.

      Bicicletas que andam na contramão, avançam semáforo e andam pelas calçadas.

      Enquanto as pessoas não tiverem consciência e não tiverem multas elevadas, pessoas continuaram morrendo no transito.

  2. Não são só donos das ruas como das calçadas também. Quando querem estacionar e não encontram uma vaga, qualquer lugar está valendo.

    Moro na Cidade Alta onde, recentemente, foram colocados sinais de trânsito e faixas de pedestre na avenida principal. Eu vou a pé todos os dias para o trabalho e é impressionante a quantidade de motoristas que não respeitam a faixa ou pior: não respeitam nem mesmo o sinal vermelho.

    Falta educação e sobra egoísmo no trânsito de JF. Aliás, essa cidade, a cada dia que passa, parece mais voltada para os automóveis do que para seres-humanos.

    Mas o maior culpado mesmo é o cidadão que acha que carro é sinônimo de status e poder. É a pessoa que se acha superior a um pedestre ou ciclista só porque está dentro de um Gol “pé-de-boi” que ele comprou em suaves 60 prestações.

    Não duvido que logo vão aparecer “pobres motoristas” aqui ou lá no Facebook tentando colocar a culpa em pedestres e ciclistas. Como sempre ocorre quando esse assunto aparece.

  3. Adorei o texto Oberdan, sou de Juiz de Fora tb mas moro no Rio e tenho minha bicicleta como principal meio de transporte. Confesso que tenho mais medo de trafegar pelo trânsito de bicicleta ai do que aqui. Não que os motoristas daqui sejam educados, pelo contrário, já fui fechado, atropelado, xingado inúmeras vezes, mas acho que talvez os motoristas do Rio estejam mais acostumados com a presença da bicicleta no trânsito.
    Se acontecer de novo esse “causo” relatado ai em cima, fotografe, filme, vamos colocar a cara desse indivíduo na internet pra todo mundo conhecer.

    Parabéns pela iniciativa.

  4. Também sou usuária das ruas e avenidas de Juiz de Fora através de uma moto, vejo também tanto descaso e desaforos, vejo que nesta cidade estamos sem lei, manda quem pode e obedece quem tem juízo., acho isso uma vergonha para nossa cidade, mas que Deus nos leve e nos traga em paz para casa. Amém.

  5. Juiz de Fora é a única cidade no mundo em que não existem pedestre, todos os motoristas desta cidade nunca irão atravessar uma rua, pois não são pedestres, desde o automóvel mais barato até o mais caro, são todos apenas motoristas não precisam respeitar os pedestres

  6. Eu também achei um absurdo! Enquanto alguns oficiais da lei se preoculpam em dar geral em trabalhadores, porque os mesmos não fizeram nada a respeito pelo ocorrido? E comigo ja aconteceu de ser fechado por um carro de um individuo enquanto trafegava com a minha motinha pelo lado esquerdo da via dando passagem para os mesmos passarem.

    Esta é a nova JF

  7. Será que pra sermos vistos, ouvidos precisaremos fechar as ruas, fazer manifestações como as que moveram o país neste ano?

    E o nossos direitos?
    Aonde estão os “gravatinhas” que representam o povo?
    Bando de políticos que só aparecem em época de eleição!!!

    Onde estão nossas ciclovias, nossa segurança, nosso direito de transitar sem medo?

    Será mesmo que vai ser preciso contar com acidentes diários no trânsito para que as autoridades façam alguma coisa?

    Espero que não!
    Enquanto isso, Amantes da Bike, cuidado redobrado.

  8. Pior, é um certo sujeito que anda por ae com um camaro preto ss, acelerando loucamente.
    Hoje, na santo antônio, chegou a subir em cima da calçada(por volta de 18h40), para cortar um ônibus que estava corretamente dando seta para trocar de faixa.

    Esses playboys se acham no direito de tudo.
    Na esquina da halfeld com a Tiradentes, há um certo sujeito que para sempre com seu Onix para em cima da faixa de pedestres, na esquina com o colégio academia. Se acha no direito de parar, sem sequer ligar o pisca alerta.

    Realmente: seres desprovidos de massa cinzenta. Aliás, acho que ali a massa ta podre.

  9. Tbm sou ciclista, e, sempre q vou pedalar por aí, sempre passo por pelo menos um destes lugares citados acima, e sempre acontece um fato perigoso.
    Nós ciclistas, talvez tenhamos q mostrar q em JF tem mt ciclista consciente, tipo uma manifestação, assim vamos ser enxergados por estes seres em suas “armaduras motorizadas”.

    PEDAL CONCIENTE

    1. Galera… existe a manifestação já…
      Bicicletada toda última sexta feira do mês às 19:00 na Praça São Mateus…

      Só que quase ninguém vai…

      É muito mais fácil protestar escrevendo textinhos e postando coisinhas no Facebook…

      NA HORA DO VAMU-VER pouca gente está disposta…

      1. Falou tudo Guilherme. A manifestação já ocorre toda última sexta-feira do mês e mantemos o movimento, mesmo com pouca mobilização, pois sabemos da importância dele. Mostrar as bicicletas na rua, de forma consciente e organizada, exigindo nosso espaço e afirmando nossa condição de veículo na via.

        Abraços

  10. É complicado toda essa situação galera, mas estava pensando outro dia… Poderiamos andar de go pro registrando a cada dia tudo isso e ir postando no Facebook ou em outros lugares, isso ate ajudaria quando um condutor cometesse uma infração ou desrespeito no trânsito, uma prova contra a própria pessoa lembren-se de mostrar na camera hora e data em um relógio seu e de um pedestre para comprovar hora dia e a placa com nome da rua.

  11. não ando de bike mas meu irmão é um amante da magrela por isso a minha tristeza pelos casos ocorridos e minha solidariedade as suas palavras!!!!!!!!

    1. Só que tem uma pequena diferença (de muitas outras) de que a bicicleta para de poluir a partir do momento que sai da fabrica..

      Já o carro…………………………………….

      Desculpa amigo, mas sua resposta foi muito rasa e sem embasamento. Recomendo pedalar e estudar.

    2. Desculpe amigo mas você “errou feio, errou rude”.

      Primeiro porque o texto não tenta colocara bicicleta como solução para nada. Ele está questionando o individualismo exagerado de algumas pessoas quando estão no trânsito.

      Segundo, um carro agride muito mais o meio-ambiente do que uma bicicleta. Se você não tem essa noção, recomendo desligar a televisão agora mesmo, sair do Facebook e ir estudar.

      Espero, sinceramente que você não seja um motorista se fazendo de vítima. Porque se for, com esse nível de argumentação, eu vou passar a atravessar as ruas com mais medo à partir de hoje.

  12. Ótima matéria. Mas eu não tenho esperança alguma que vá se resolver um dia.

    Moro em Teresina, capital do Piauí. Não tenho carro, sou a favor do uso de ônibus e bicicleta, mas muitas vezes penso que essa mentalidade não serve pra época atual e sim pro futuro.

    TODOS os integrantes do trânsito não tem educação. Talvez o problema seja cultural onde em 99% dos brasileiros acha que ter um carro é qualidade de vida, símbolo de Status e poder e que um ciclista, motociclista ou quem anda de ônibus é um miserável que não tem condições de comprar um carro nem pagando em 60 meses. Talvez a culpa seja do DETRAN que ao capacitar uma pessoa no trânsito não esteja usando os meios corretos, vendo que constantemente são anunciadas fraudes e esquemas para obtenção da carteira de motorista. Ou talvez o problema seja dos órgãos de fiscalização e controle que não estão nem aí pra fazer cumprir a lei e sim ganhar o dinheiro do concurso que fez.

    O fato é que os motorista de ônibus são uns desequilibrados que na maioria das vezes não estão aptos a conduzir um transporte coletivo, os motociclistas são na sua maior parte motoristas irresponsáveis que se colocam em risco e arriscam o outro, os motoristas de carros acham que são os únicos donos das ruas e que TUDO o que não for carro e estiver na frente dele deve sair.

    E por fim, o ciclista brasileiro na sua maioria não foi educado para o trânsito. É de contar nos dedos aqueles que usam os equipamentos de segurança, que respeitam a sinalização de transito e que temem pela própria vida.

    Este é o país que temos. O que podemos fazer para mudar? Porque eu não vejo uma solução nem a Longo prazo. Continuo a ser ciclista porque sou teimosa.

  13. Anotou a placa, anotou o nome do policial que fez este comentário, foi ao posto policial registrar um boletim de ocorrência para os dois casos…
    Se não fez isso não adianta…
    Vamos continuar com o mesmo blá blá blá…
    Quando todas os desrespeitos e violações do código de trânsito forem registrados em boletim de ocorrência e apresentação de denúncia na delegacia de trânsito, aí a coisa começa a mudar…

    1. Guilherme, não é assim tão fácil… A polícia muitas vezes se recusa a fazer o B.O, pois acha que a violência contra o ciclista não é caso disso. Leia esse relato de um ciclista que foi registrar o B.O e a polícia se recusou:

      “Depois, falou alto novamente:

      – Imagina se todo ciclista quiser registrar ocorrência que levou uma fechada. A fila estaria enorme.”

      Texto na íntegra: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-dia-em-que-fui-fechado-de-bike-e-o-delegado-se-recusou-a-fazer-o-boletim-de-ocorrencia/

      1. Para isso existe o ministério público.
        Compareça no ministério público com uma testemunha e faça uma denúncia quando isso ocorrer…
        Infelizmente estamos submetidos a uma máquina administrativa burocrática e que é contra a sociedade de modo geral…
        Mas se não fizer isto não muda nada…
        Infelizmente ninguém está nem ai para desabafo, site de protesto, e outros mi mi mis…
        Se não recorrer aos meios legais nada muda…

        Vale lembrar o seguinte. O relato do camarada que você apresentou é em São Paulo. Estamos em Minas, aqui a polícia é outro nível…

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